03-03-2010
Por Simon Gardner
SANTIAGO (Reuters) - O próximo ministro da Fazenda do Chile, Felipe Larraín, disse nesta quarta-feira que está analisando diferentes alternativas para levantar fundos para a reconstrução do país depois do forte terremoto que devastou a infraestrutura do maior produtor mundial de cobre.
"Estamos analisando diferentes opções, mas ainda estamos na fase do planejamento", disse Larraín à Reuters. "Realmente não posso comentar neste estágio."
Larraín se negou a especificar se essas opções incluem a emissão de títulos de dívida soberana ou o uso de bilhões de dólares em economias do boom do cobre guardadas em fundos soberanos. Os analistas veem as duas como sendo alternativas viáveis.
Alguns analistas estimam que os danos do terremoto possam custar ao Chile até 30 bilhões de dólares, ou cerca de 15 por cento de seu produto interno bruto.
De acordo com dados do Ministério da Fazenda, os dois fundos soberanos do Chile tinham cerca de 18 bilhões de dólares em setembro de 2009.
Larraín vai assumir a direção da economia chilena em 11 de março, quando a administração de centro-direita do bilionário presidente eleito Sebastián Piñera tomar posse, pondo fim a 20 anos de governo da centro-esquerda.
O maior jornal do Chile, El Mercurio, disse na quarta-feira que Piñera e a administração da presidente atual, Michelle Bachelet, estudam a possibilidade de revisar o orçamento de 2010 para redirecionar para as áreas atingidas pelo terremoto no sul do país parte das verbas infraestuturais destinadas ao norte do Chile.
As minas de cobre chilenas, que produzem um terço do cobre consumido no mundo, parecem ter escapado do sismo quase intactas. As maiores reservas de cobre e os portos de exportação principais ficam no extremo norte do país.
O terremoto aconteceu justamente quanto o Chile estava emergindo de sua primeira recessão em uma década, e a maneira como Piñera vai lidar com suas consequências será crucial para a consolidação de seu novo governo.
Na entrevista à Reuters, Larraín negou-se a comentar o impacto que os danos do terremoto terão sobre o crescimento econômico.
Em 19 de fevereiro, antes do terremoto de 8,8 graus do sábado, Larraín tinha dito à Reuters que o crescimento econômico do Chile em 2010 seria um pouco superior a 5 por cento, após uma contração prevista de 1,9 por cento em 2009, com a economia dando sinais de recuperação após a primeira recessão em uma década.
A promessa de Piñera de elevar o crescimento econômico anual médio para 6 por cento e gerar 1 milhão de empregos foram abaladas por um dos maiores terremotos em um século no mundo, que deixou cerca de 800 mortos, destruiu rodovias, parou o fornecimento de eletricidade a indústrias e aniquilou comunidades inteiras.
O peso chileno abriu mais firme na quarta-feira, depois de o terremoto do sábado ter suscitado apostas de que fundos do governo e de pensão trarão de volta dólares que estão no exterior para ajudar a reconstruir o país.
Pinera disse anteriormente que poderá usar verbas emergenciais previstas para os governos pela Constituição chilena e que equivalem a 2 por cento do orçamento anual.
ESTRATÉGIA COM VÁRIOS ELEMENTOS
"O Chile poupou dinheiro no passado para quando precisasse no futuro, então este é o momento de o governo utilizar a maior parte desses recursos para reconstruir a área devastada", disse Alfred Coutino, diretor para a América Latina da Moody"s Economy.com.
"É preciso uma combinação de diferentes fatores. Ela precisa abranger recursos acumulados no passado, uma ampliação do déficit fiscal, o que implica em dívida interna ou externa, e há também linhas de crédito internacionais", acrescentou.
Coutino disse que o Banco Mundial e o BID ofereceram linhas de crédito imediatas ao Chile.
Ele prevê que os danos causados pelo terremoto reduzam o crescimento nos primeiro e segundo trimestres.
"Neste momento prevemos que o PIB perderá de um a dois pontos percentuais nos dois primeiros trimestres do ano. Ainda vai se manter em território positivo", disse Coutino.
"A previsão anterior era que a economia crescesse 5 por cento no ano. Então agora estamos prevendo crescimento de entre 3 e 4 por cento."
O banco central chileno disse na segunda-feira que vai manter sua política monetária expansionista "por algum tempo" para ajudar a economia a se recuperar. O banco já vem mantendo sua taxa básica de juros no piso histórico de 0,5 por cento há sete meses para ajudar a economia a recuperar-se da recessão.
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